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Detoxificação

By Dezembro 30, 2020No Comments

A detoxificação é um processo que ocorre naturalmente no nosso organismo com o intuito deste se livrar de toxinas e compostos nocivos que possam perturbar o seu correto funcionamento.

Este processo de detoxificação ocorre em duas fases (eventualmente pode-se considerar uma terceira fase aquando da excreção), sendo que na fase I as reações que ocorrem são mediadas maioritariamente por enzimas do citocromo P450. Na fase II são usadas vias metabólicas de conjugação nomeadamente glucoronidação, acetilação, metilação e sulfuração.

Durante a reação de fase I existe biotransformação de substâncias e os compostos obtidos são altamente reativos, podendo causar dano tecidular. Estes compostos seguem depois para a reação de fase II, onde são conjugados com substâncias endógenas hidrofílicas e transformados em compostos polares e solúveis em água, para que possam depois ser excretados (Hodges and Minich, 2015).

Apesar do processo de detoxificação ser algo que o nosso organismo faz de forma natural e espontânea, a verdade é que este mesmo processo pode ser lento ou pouco eficiente devido a polimorfismo genéticos e/ou défices nutricionais existentes.

Tanto as enzimas da fase I como as enzimas da fase II são dependentes de nutrientes, o que leva a que uma ingestão inadequada possa comprometer a capacidade natural do organismo neutralizar e eliminar as toxinas. As enzimas de fase I são dependentes dos seguintes nutrientes: magnésio, vitamina A, vitaminas do complexo B, glutationa, carotenoides, vitamina E, vitamina C e diversos flavonoides. Relativamente às enzimas de fase II, os aminoácidos desempenham um papel crucial: glicina, glutamina, arginina, metionina e taurina (Hodges and Minich, 2015). Assim, torna-se claro que um individuo que apresente défices nutricionais irá colocar em risco o processo de detoxificação.

Relativamente aos polimorfismos genéticos, caso existam mutações na família das enzimas do citocromo P450, estas irão originar uma alteração da expressão e consequentemente da função, alterando assim o efeito que um determinado individuo pode ter aquando da exposição a uma toxina. Semelhante ao que acontece com as enzimas do citocromo P450, polimorfismos genéticos podem ter uma influência na função das enzimas de fase II (Ginsberg et al., 2010).

Posto isto, apesar do processo de detoxificação estar inerente ao nosso funcionamento enquanto seres humanos, podem existir fatores que condicionam o seu correto desempenho, podendo conduzir a diversas enfermidades, nomeadamente ao aumento do risco de diversos tipos de cancro (Dong et al., 2008).

Assim sendo, para um correto processo de detoxificação, esqueça os sumos verdes e foque-se em ter uma alimentação repleta de nutrientes e compostos fenólicos, evitando alimentos processados e altamente inflamatórios. Para além disto, torna-se imperativo que diminua a sua exposição a toxinas, nomeadamente, cosméticos, produtos de limpeza, agrotóxicos, etc.

 

Referências:

Hodges, R. and Minich, D. (2015). Modulation of Metabolic Detoxification Pathways Using Foods and Food-Derived Components: A Scientific Review with Clinical Application. Journal of Nutrition and Metabolism, 2015, pp.1-23.

 

 Ginsberg, G., Guyton, K., Johns, D., Schimek, J., Angle, K. and Sonawane, B. (2010). Genetic polymorphism in metabolism and host defense enzymes: Implications for human health risk assessment. Critical Reviews in Toxicology, 40(7), pp.575-619.

 

Dong, L., Potter, J., White, E., Ulrich, C., Cardon, L., Peters, U. (2008). Genetic Susceptibility to Cancer: The Role of Polymorphisms in Candidate Genes. JAMA, 299(20), pp.2423–2436.

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