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Artigos

Diferentes tipos de plástico

By Dezembro 30, 2020Setembro 29th, 2021No Comments

Costuma preocupar-se com a qualidade dos plásticos que utiliza diariamente? Já reparou que os recipientes de plásticos possuem todos uma numeração dentro de um símbolo que forma um triângulo? Sabe o que significa cada um desses dígitos e que implicações podem ter na tua saúde?

Pois bem, cada algarismo corresponde a um tipo de material diferente, e consoante o material, o seu uso deve ser diferenciado.

Os plásticos com o símbolo “1” são fabricados com polietileno e podem absorver o sabor dos alimentos e bebidas neles armazenados, por esta razão não devem ser reutilizados. Para além disso, devem ser mantido à temperatura ambiente para garantir a segurança do seu conteúdo, caso contrário, parece haver uma maior migração de compostos 1.

Um exemplo de um produto do nosso dia a dia que faz uso deste  tipo de plástico são as garrafas de água.

Os plásticos com o número “2” são fabricados em polietileno de alta densidade (HDPE) e são considerados seguros para a saúde e, portanto, são aqueles que podem ser usados a nível alimentar. No entanto, existem dados que mostram que todos os plásticos, incluindo o HDPE, possuem substâncias com atividade estrogénica que podem ser libertados para os alimentos quando expostos a temperaturas mais elevadas 2.

Os plásticos marcados com o número “3”  são feitos de policloreto de vinilo (PVC) que contêm  ftalatos, que funcionam como disruptores endócrinos, ou seja, substancias que podem desequilibrar o nosso sistema hormonal 3.

Os plásticos com os números “4” e “5” são considerados de baixo risco no que toca ao seu uso a nível alimentar, e, portanto, parecem ser escolhas seguras.

Os plásticos marcados com o número “6” são fabricados com poliestireno (PS) e este pode ser libertado para os alimentos quando submetido a temperaturas acima dos 80ºC 4.

 Os plásticos marcados com o número “7” são feitos de outras substâncias que não estão contempladas em nenhuma das outras categorias. Neste grupo de compostos, existe uma grande probabilidade de se encontrar bisfenol A (BPA) que pode migrar para os alimentos, interferindo também este com o sistema hormonal, podendo resultar em alterações na fertilidade, obesidade e resistência à insulina 5.

Apesar de existirem no mercado recipientes alimentares sem BPA (BPA-free), os estudos mostram que estes não uma opção mais segura relativamente aos que contêm BPA 6.

Tendo em conta o exposto e, apesar de existirem plásticos considerados seguros para a saúde, o mais sensato é mesmo reduzir a sua utilização nomeadamente no armazenamento e transporte de alimentos e bebidas. Desta forma estará a contribuir, não só para a sua saúde, mas também para o meio ambiente.

Para esse efeito, escolha contentores feitos noutros materiais mais inertes, tal como o vidro, não utilize pelicula aderente para embalar comida, evite a compra de alimentos embalados em plástico e nunca aqueça alimentos em recipientes feitos de plástico.

 

Referências:

1 – Westerhoff, P., Prapaipong, P., Shock, E. and Hillaireau, A. (2008). Antimony leaching from polyethylene terephthalate (PET) plastic used for bottled drinking water. Water Research, 42(3), pp.551-556.

2 – Yang, C., Yaniger, S., Jordan, V., Klein, D. and Bittner, G. (2011). Most Plastic Products Release Estrogenic Chemicals: A Potential Health Problem That Can Be Solved. Environmental Health Perspectives, 119(7), pp.989-996.

3 – Benjamin, S., Masai, E., Kamimura, N., Takahashi, K., Anderson, R. and Faisal, P. (2017). Phthalates impact human health: Epidemiological evidences and plausible mechanism of action. Journal of Hazardous Materials, 340, pp.360-383.

4 – Ahmad, M. and Bajahlan, A. (2007). Leaching of styrene and other aromatic compounds in drinking water from PS bottles. Journal of Environmental Sciences, 19(4), pp.421-426.

5 – Rochester, J. (2013). Bisphenol A and human health: A review of the literature. Reproductive Toxicology, 42, pp.132-155.

6 – Rochester, J. and Bolden, A. (2015). Bisphenol S and F: A Systematic Review and Comparison of the Hormonal Activity of Bisphenol A Substitutes. Environmental Health Perspectives, 123(7), pp.643-650.

 

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